insignificantes, como furto de objeto de valor irrisório – dirigido por Clara Ramos. O filme conta histórias de mulheres que são presas e passam anos na cadeia por roubar (ou tentar) um pacote de bolacha, um creme, um pedaço de queijo. Sônia defende essas mulheres de graça desde 1997 e afirma: “O que dá a sensação de impunidade é quando se solta quem matou uma pessoa e se prende quem tentou comer chocolate ou passar óleo no corpo”. 1 – Gostaria que contasse um pouco sobre seu trabalho. É voluntário? Sim, é voluntário. Trabalho com a questão da mulher presa desde 1997, quando fiz parte de um grupo formado por integrantes da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, advogados e estagiários para atender denúncias de tortura na penitenciária feminina do Tatuapé (em São Paulo) – fechada em 2005. Desse grupo surgiu a idéia de fundar o ITTC – Instituto Terra, Trabalho e Cidadania. Em 2001, o ITTC e outras entidades de direitos humanos formaram o Grupo de Estudos e Trabalhos Mulheres Encarceradas. Em 2004, conheci casos de mulheres presas por furto de comida, roupas de bebê, lápis de olho, óleo de amêndoas. E passei a fazer habeas-corpus e defesa para as que me chegavam. São mais de 400 casos. 2 – Muitas mulheres vão presas por pequenos furtos? Todos os dias mulheres são presas por “quase nada”. Homens bem menos. Outro dia, recebi uma moça que foi presa por tentativa de furto de paçoca, azeitona e temperinho, no total de R$ 15. 3 – O Governo se defende dizendo que as penas alternativas já superam as de reclusão. É verdade? Isso é um engano na interpretação dos dados. Eles consideram a aplicação da pena alternativa nas sentenças, mas não constatam as prisões em flagrante em que as pessoas são mantidas presas durante o processo, mesmo sabendo que no final das contas poderá cumprir pena em liberdade ou prestando serviços. A grande ilegalidade está aí. 4 – As penas alternativas são aplicadas quando a pessoa passou um tempo presa? Muitas são condenadas a cumprir pena em regime semiaberto, mas são impedidas de apelar em liberdade e continuam nas cadeias até o recurso ser julgado. Quando a sentença de regime semiaberto se torna definitiva elas são soltas, mas cumpriram a pena no regime fechado, sem direito a trabalho, estudo. 5 – No documentário parece que os juízes ainda têm visões diferentes sobre os crimes de bagatela? Vai da sorte de cada uma. Se o processo for distribuído para uma vara criminal que tenha um juiz como um dos entrevistados no documentário, será caso de condenação pois o juiz deixa claro não ser favorável à aplicação de penas alternativas e que a prisão é o melhor remédio. Por outro lado, se o processo for distribuído para uma vara que tenha um juiz que pense o contrário, a pessoa terá a dignidade respeitada e os princípios da insignificância aplicados de início. 6 – O que deveria ser feito? Em primeiro lugar deixar a prisão para as exceções que existem na lei penal, como risco de fuga, perseguição às testemunhas, tumultuar o processo, que são os requisitos da prisão preventiva. Julgar rápido, mas com qualidade técnica tanto dos defensores quanto dos promotores porque no processo muitas vezes não se olha para aquela pessoa que está sendo julgada. Não se sabe nada da vida dela, não se preocupa em saber e julga-se de forma diferente casos idênticos. Isso é o que dá a sensação de impunidade, quando se solta quem matou uma pessoa e se prende quem tentou comer chocolate. 7 – Onde está a falha? Na qualidade dos operadores do direito: juízes, promotores e defensores públicos e particulares. Falta vocação, maturidade, compromisso. Sobra preconceito, inexperiência, desconhecimento de direitos humanos e das questões sociais. Quem é preso em flagrante poderia ter o seu caso analisado por um juiz em menos de 48 horas. Em tese, num caso de insignificância, o juiz poderia mandar soltar imediatamente. Não faz. O promotor também poderia pedir a soltura por entender que não põe em risco a sociedade. Não pede. Ao contrário, sempre discorda de qualquer pedido de benefício. O defensor poderia pedir a liberdade provisória para que a ré pudesse responder o processo livre. Não pede. A superlotação mostra que há pessoas presas que não deveriam estar. 8 – Qual o perfil de quem comete esses pequenos furtos? O perfil é sempre o mesmo: baixa escolaridade, sem profissão definida, jovens, com filhos. Acho que não resistem. Não são violentas. Vão ficando mais sabidas (no mau sentido) com o passar do tempo. Arriscam. Não se preocupam com as câmeras internas, sensores nas portas, etc. Simplesmente não resistem à vaidade, à vontade de comer uma picanha, usar uma lingerie diferente ou um brinquedo de bebê. São sempre pobres e na maioria das vezes usuárias de drogas. 9 – Como você escolhe os casos que vai defender? Não escolho, os que chegam ao meu conhecimento eu faço. Ou me trazem a lista, ou eu anoto quando visito penitenciárias. Tento entrar logo com habeas-corpus, porque não se precisa de procuração da presa, às vezes é preciso entrar no processo e aí assumo a defesa toda. 10 – O documentário repercutiu? Ele teve sua pré-estreia no Cinesesc em São Paulo, no 15º Seminário Internacional do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais em agosto e na Associação dos Advogados de São Paulo. As faculdades de direito têm demonstrado interesse, o que é positivo. Por Andrea Dip andrea.dip@folhauniversal.com.br SITES QUE EU RECOMENDO E SIGO: |
Mostrando postagens com marcador 10 PERGUNTAS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 10 PERGUNTAS. Mostrar todas as postagens
10 PERGUNTAS:Sônia Drigo - Presas por “quase nada”
10 PERGUNTAS Á: Luiz Fernando Prôa - o álcool leva às drogas
Por Carlos Antonio redacao@folhauniversal.com.br 1 – O senhor tem consciência de que se transformou numa bandeira de luta para milhares de pais que enfrentam o mesmo tipo de problema? Tenho, e isso me assusta, já que não calculo a dimensão desta coisa. Sou uma pessoa comum. Estou acostumado à solidão de meu trabalho como escritor e promotor de cultura na internet. Às vezes, circulo em eventos poéticos e artísticos, mas a maior parte do tempo não. Meu assombro cresce quando vejo que, não só as famílias com problemas com drogas, mas uma legião de indignados com tanta falta de paz e humanidade, se identifica com as questões que estou levantando. 2 – O que mudou na sua vida desde o episódio com seu filho? Tudo. 3 – Que conselho você daria a pais que vivem a mesma situação? Que lutem por seus filhos, não só em casa, mas pressionando as autoridades para que ajam rápido e mudem este estado de coisas. É como o slogan dito pelo Projeto Zap, da internet: “Dizer não às drogas... não basta!”, temos que fazer muito mais se queremos minimizar o estrago que elas produzem. 4 – De acordo com a lei, a internação para o usuário de drogas depende da própria vontade do viciado. Um projeto no Congresso propõe a obrigatoriedade do tratamento. O que o senhor acha? Quem não se droga neste País? Garanto que não são poucos. Não são só as drogas ilegais que são drogas. As bebidas alcoólicas, apesar de legais, fazem parte da mesma categoria. É preciso internar contra a vontade todo dependente químico que perdeu os limites, contanto que haja qualidade no atendimento e critério para evitar abusos. Mas temos que ir mais longe, já que o álcool é a principal porta de entrada para o mundo das drogas. É preciso pôr fim em toda propaganda de bebidas alcoólicas, em qualquer meio. Colocar advertências educativas nos rótulos dessas bebidas sobre os prejuízos que podem causar à saúde, assim como se faz nos maços de cigarros. Abrir a discussão sobre o aumento da idade permitida para o consumo de bebidas para 21 anos, como já acontece em outros países, e com fiscalização eficiente. 5 – Já foi procurado por alguma autoridade para discutir algumas dessas sugestões? Não. Estou mais preocupado com que meu grito seja ampliado, com que mais gente passe a opinar e ser ouvida. Como disse, sou apenas um cidadão comum e não o dono da verdade. Nossa sociedade precisa discutir suas questões, participar ativamente na condução de nossos destinos, pressionar por seus direitos e não deixar tudo na mão de políticos, de grandes empresários e sindicatos. 6 – Como uma família pode evitar que seus filhos mergulhem no mundo das drogas? O primeiro passo é ficar de olho nas bebidas alcoólicas. Elas rolam em festinhas de criança, nos churrascos em família, entre os amigos da escola, nas baladas e bares. Com isso, usando uma droga pesada, como é a bebida alcoólica, eles se acostumam com o estado de embriaguez, euforia e desinibição que ela provoca, o que os aproxima de outras experimentações. O segundo, é educar. Mostrar o estrago que essa droga provoca. É só dar uma passadinha na “cracolândia” de sua região para ver o efeito devastador que o crack provoca. O caso de meu filho é bem educativo, uma pessoa boa, educada, carinhosa e que chegou ao fundo do poço e à cadeia. Um caso de saúde pública que virou um caso de polícia. 7 – O senhor acha que cabe prioritariamente ao Governo Federal a tarefa de combater a entrada de drogas? Sim. Mas o problema maior não são as drogas, elas são apenas uma ponta do iceberg, e afiada. As armas que entram fazem muito mais estrago. 8 – A religião, de alguma forma, pode ajudar a resolver o problema das drogas? A religião não vai resolver o problema das drogas, mas com certeza pode contribuir, e muito. Contudo, a situação é mais complexa, e muitos que vivem esse problema não querem nem ouvir falar em Deus, o que é lamentável. 9 – O Governo prometeu medidas concretas para ampliar o atendimento aos usuários de drogas. O senhor acredita que isso vai acontecer? Já estamos acostumados com isso. Estoura uma bomba, chegam os bombeiros e ficamos aguardando o próximo incêndio. Já cansamos de ver soluções paliativas e maquiadoras que não resolvem os problemas. Não quero prejulgar as boas intenções que às vezes aparecem, mas vemos que as ações são sempre menores que os problemas a enfrentar. 10 – O que se pode fazer com meninos de rua já mergulhados no vício? Investimento pesado e educação. Um povo instruído tem melhores condições sociais e pode controlar melhor seu crescimento em número. Não adianta construirmos dez hospitais se daqui a 5 anos vamos precisar de 30, construir 30 se daqui a 10 anos vamos precisar de 90. É preciso arregaçar as mangas e ter fé em um futuro melhor. |
10 PERGUNTAS Á: BRITTO JR. No comando da fazenda
Postado por
IURD DE BONSUCESSO KM 28
Marcadores:
10 PERGUNTAS,
DEU NA WEB,
DICAS,
ENTREVISTAS
0
comentários
| |||||
Assinar:
Postagens (Atom)