É difícil saber quando e quais adolescentes brasileiros seguem as regras desse jogo erótico criado pelos ingleses daqueles que apenas foram atraídos pelas cores vibrantes dos braceletes. Mas, de qualquer maneira, o assunto é um bom motivo para pais e filhos conversarem, acredita a psicóloga Margareth Scherschmidt, especialista em infância e adolescência. "Por um lado, nós vivemos um momento em que os pais estão extremamente ocupados em produzir, em trazer suprimento material para casa e acabam esquecendo-se da linguagem simbólica que acontece todos os dias. É sim um alerta, porque os pais deveriam ter uma curiosidade saudável pela vida do filho, por seus gostos, pelas coisas que ele está usando e o porquê está usando aquilo. Ninguém pergunta mais. Por outro lado, os próprios adolescentes também não questionam. Apenas imitam uns aos outros, sem muitas vezes conhecer os reais significados do que usam e consomem, apenas para fazer parte daquele grupo", analisa.
Sobre os jogos sexuais com as pulseiras, cujo pacote com uma dezena custa de R$ 1 a R$ 1,50, Margareth afirma que vivemos a banalização do sexo também entre os adolescentes: "As meninas, que antes não tinham esse padrão masculino de quantidade, hoje têm. 'Beijei tantos meninos, namorei tantos garotos.' A sexualidade está se 'coisificando'. Está virando consumo. Ao mesmo tempo, parece ser um jogo para transgredir os limites do outro, um teste, porque os jovens hoje não têm mais limites", alerta.
Para ela, a solução ainda é a boa e velha conversa com os filhos: "É preciso se encontrar dentro de casa para almoçar, para conversar, ou mesmo para ficar em silêncio. Pais e filhos precisam se ver, se sentir. Como os pais vão perceber uma cara de tristeza ou ansiedade no adolescente se não participam da mesma rotina?", questiona. "O segredo está em participar, não em proibir ou fingir que aquilo simplesmente não existe."
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