Padre gastou R$ 14 mi da Arquidiocese do Rio

padre

O padre Edvino Alexandre Steckel, que foi responsável por controlar as finanças e os bens da Igreja no município do Rio de Janeiro por um ano e quatro meses, é acusado de gastar R$ 14 milhões em despesas desnecessárias ou não justificadas, segundo auditoria feita nas contas da Arquidiocese da cidade. A matéria foi divulgada, nesta segunda-feira (30), pelo jornal O Dia.

A auditoria nos gastos foi determinada pelo arcebispo Dom Orani João Tempesta, após ser divulgada na imprensa a compra de um apartamento de luxo na zona sul da cidade para servir como residência, do antigo arcebispo, Dom Eusébio Scheid, que deixou a Arquidiocese em abril.

O imóvel, segundo o jornal carioca, foi adquirido em dezembro de 2008 e custou R$ 2,2 milhões. O apartamento é localizado na Avenida Ruy Barbosa, de frente para a Praia do Flamengo, um dos endereços mais nobres da cidade. Ainda segundo as denuncias, a Arquidiocese pagou pelo apartamento um valor superior ao de mercado.

Padre Edvino era responsável pelo comando das finanças da igreja na gestão de Dom Eusébio. Ele acabou sendo demitido do cargo após as denúncias do O Dia.

Além do apartamento, o padre adquiriu móveis de luxo para decoração de sua sala e dois carros importados, avaliados na época em R$ 85.600 cada. Um dos veículos, usado por Edvino, foi devolvido e vendido posteriormente. O outro continua com Dom Eusébio Scheid. Reformas nos andares do Edifício João Paulo II, sede da Arquidiocese, também foram determinadas pelo padre, o que consumiram muito dinheiro.

Segundo a investigação, padre Edvino usou todos os recursos disponíveis, além do dinheiro reservado para reformas emergenciais em igrejas do Rio. Ele demitiu 67 funcionários da Arquidiocese, além de cortar recursos das pastorais, responsável pela área social. Ele também determinou que todas deixassem o Edifício João Paulo II. A revelação dos gastos fez com que houvesse uma queda nas doações de fiéis para a Igreja.

Após a demissão, padre Edvino voltou a rezar missas em uma igreja do centro da cidade. O local deixou de ser reformado por falta de recursos. De acordo com o diário carioca, o padre, que frequentava bons restaurantes e era conhecido por gostar de roupas caras, mudou seus hábitos e deixou de ser uma presença constante em ambientes requintados da cidade.

Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta centralizou todas as informações sobre o caso para evitar vazamentos. Ele se recusa a falar sobre o assunto e disse que só falará depois que considerar o episódio encerrado.

Pare Edvino deverá responder a processo no Tribunal Eclesiástico da Arquidiocese. Se for punido, pode perder o direito de exercer suas funções. (LM)

Agência Unipress Internacional

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